

A gastronomia brasileira do século XVI
Sheila Moura Hue
208 páginas
R$ 34,00
Jorge Zahar Editor



O pontificado de João Paulo II foi marcado por sua formação humana e sacerdotal e pelos trágicos acontecimentos que ele, como polonês, viveu primeiramente com a guerra e a ocupação nazista, depois com o comunismo. Por ir além do papel de porta-voz da instituição, Karol Wojtyla será lembrado por seu caráter carismático e missionário, que trabalhou para levar o Evangelho a todos os continentes. Mais que isso, seu papado ficou marcado pela mudança, desde o momento de sua eleição. Após 455 anos, um Papa não-italiano foi eleito. O primeiro Papa polonês. O primeiro representante do catolicismo eslavo. Em Uma Vida com Karol, o Cardeal Stanislaw Dziwisz, que acompanhou João Paulo II durante quarenta anos, revela detalhes novos e fascinantes sobre as opiniões, as esperanças e os medos do Papa. Em parceria com o jornalista Gian Franco Svidercoschi, o Cardeal percorre os principais momentos da dramática vida de Karol Wojtyla. São histórias sobre os bastidores do Vaticano, contadas por quem acompanhou todas as decisões importantes João Paulo II. A obra - que já vendeu mais de 500 mil exemplares em todo o mundo - esclarece alguns dos fatos mais marcantes do Pontificado do Papa Wojtyla. Por que o religioso foi o primeiro chefe da Igreja Católica, em 2 mil anos, a entrar numa sinagoga? E por que pronunciou palavras tão duras contra o anti-semitismo? Dziwisz acredita que o fato do Papa ter passado a infância na cidade polonesa de Wadowice – onde um terço da população de 10 mil habitantes era judia –, explica tais atitudes.Ainda criança, Wotjyla começou a amadurecer a convicção de que judeus e católicos fossem unidos por pregarem o mesmo Deus. "Era preciso um Papa como ele, com sua história, para relembrar, com credibilidade, as raízes hebraicas do cristianismo e tornar a propor a ligação espiritual que une judeus e cristãos, admitindo a frouxa resistência espiritual de muitos cristãos frente ao nazismo de Hitler", diz o autor. João Paulo II foi também o primeiro líder da Igreja Católica a entrar em uma mesquita: a mesquita dos Omayyadi, em Damasco, no dia 6 de maio de 2001. Para Dziwisz, "essa foi uma grande página da história religiosa, não só pelo que significava com relação a um passado conturbado, mas, sobretudo pelo empenho, por parte de cristãos e muçulmanos, de não abusar mais da religião para justificar ódio e violência, mas para reencontrar os fundamentos comuns". No livro, os autores tocam também em assuntos polêmicos como o atentado que quase matou João Paulo II em 1981. O secretário diz que tanto ele quanto o Papa acreditavam no envolvimento da União Soviética: "Todos os caminhos levam à KGB (ex-agência soviética de inteligência)". Falam ainda sobre como João Paulo II sofreu com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e revelam as tentativas fracassadas do religioso em evitar a Guerra do Iraque. Nem mesmo os momentos finais do Papa, no dia 2 de abril de 2005, depois de uma batalha de dez anos contra o mal de Parkinson, são omitidos.Mas Uma Vida com Karol destaca principalmente as realizações do Pontificado de João Paulo II, como ele projetou um modelo de Igreja em condições de enfrentar, e de aceitar, os desafios da modernidade e de uma sociedade pluralista. "O Papa defendeu a vida reafirmando a verdade divina, mas também em nome da verdade do homem e da liberdade de consciência. Contestou a cultura do relativismo, mas ao mesmo tempo também abriu diálogo com a razão, e de certo modo com a modernidade, como nunca fizera a Igreja antes", afirma Dziwisz.
Segundo ele, a frase que João Paulo II repetiu durante todo o seu pontificado – "o mundo pode mudar!" – é a herança mais preciosa que ele poderia deixar para os homens do século XXI.
Sobre os autores:
Stanislaw Dziwisz nasceu em 27 de abril de 1939 em Raba Wyzna, na Polônia. Foi ordenado sacerdote por Karol Wojtyla em 1963. Em 3 de junho de 2005, tornou-se arcebispo de Cracóvia pela mão de Bento XVI, que depois o nomeou cardeal em 24 de março de 2006.
Gian Franco Svidercoschi nasceu na Itália. De origem polonesa, é jornalista desde 1959. Segue há quase cinqüenta anos os acontecimentos do Vaticano e o mundo religioso. Foi vice-diretor do jornal oficial do vaticano L’Osservatore Romano e colaborou com João Paulo II na realização de sua autobiografia, Dono e Mistero.
