sexta-feira, 7 de novembro de 2008

lLANÇAMENTO







Curiosidades alimentares








Livro destaca os hábitos alimentares do Brasil do século XVI, com receitas exóticas e pratos a base de animais das regiões. Uma verdadeira arqueologia da alimentação.












Delicias do descobrimento
A gastronomia brasileira do século XVI
Sheila Moura Hue
208 páginas
R$ 34,00
Jorge Zahar Editor





O padre José de Anchieta apreciava carne assada de macaco e bicho de taquara torrado e deixou esse depoimento para a posteridade. E ele não foi o único. Viajantes, padres, senhores de engenho e navegadores descreveram a fauna e a flora do Brasil do século XVI em detalhes. Registraram ainda ingredientes dos quatro cantos do mundo trazidos pelas rotas marítimas e as adaptações que os cardápios sofreram ao se deparar com novos itens.

Delícias do Descobrimento - A gastronomia brasileira no século XVI, enfoca a história do Brasil por um viés diferente: o da gastronomia. Resultado de uma preciosa pesquisa que garimpou os textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes de diversas nacionalidades que por aqui aportaram , põe o leitor diante do nascimento da cozinha brasileira no século XVI.

“Algumas receitas nos parecem hoje estranhas ou absurdas porque na época não havia, por exemplo, preocupação com colesterol – a gordura era, ao contrário, muito apreciada. Assim, vemos muito uso de toucinho, frituras, e uma quantidade impressionante de ovos. Outra coisa que pode surpreender é o emprego de açúcar nos pratos “salgados”. Muitos pratos de carnes e aves são cozidos com açúcar e depois ainda polvilhados com açúcar e canela. O açúcar não era uma exclusividade da sobremesa ou dos pratos de doçaria, mas era usado como um condimento qualquer, como o açafrão, e era muito apreciado em pratos de carnes, como a galinha albardada e a galinha mourisca (duas receitas que permaneceram até o século XVIII). Fazendo umas pequenas adaptações, podemos reproduzir esses pratos em nossas cozinhas, adaptando-os ao nosso gosto.”, destaca Sheila.

Com um olhar curioso e muitas vezes espantado, tais cronistas retratavam para o Velho Mundo a fauna e a flora exuberantes, fartas, generosas da nova terra. Há descrições e comparações inusitadas: um Ilustrado gambá era um animal monstruoso, com cara de raposa, rabo de macaco, orelhas de morcego, mãos humanas e pés como de macaca. Há informações sobre o uso medicinal de plantas e animais, como a beberagem de buranhém empregada no combate à sífilis, com resultado notável. E há também o registro de que à abundância nativa começavam a se misturar ingredientes vindos com as Navegações, criando novos pratos e novos hábitos alimentares.

Na falta de azeite usava-se banha de peixe-boi derretida, e os bolos faziam-se com uma delicada farinha de mandioca. Carne de tatu e as crocantes pacas, assadas inteiras, eram iguarias. O padre José de Anchieta apreciava bicho-de-taquara torrado, e para Fernão Cardim as gordas moréias sabiam a leitão". Vindas do Oriente, cana-de-açúcar e canela passaram a polvilhar cajus cozidos, e figos e marmelos europeus dividiam compotas com abacaxis e goiabas locais.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Lançamento Editora Objetiva




Uma vida com Karol


Memórias do secretário particular de João Paulo II revelam segredos como a trama da KGB para matar o Papa

"Eu o acompanhei durante quase quarenta anos, 12 em Cracóvia e depois 17 em Roma. Estive sempre com ele, ao seu lado. Agora, no momento de sua morte, ele foi sozinho. E agora? Do outro lado, quem o acompanha?" - Cardeal Stanislaw Dziwisz, secretário particular do Papa João Paulo II.

O pontificado de João Paulo II foi marcado por sua formação humana e sacerdotal e pelos trágicos acontecimentos que ele, como polonês, viveu primeiramente com a guerra e a ocupação nazista, depois com o comunismo. Por ir além do papel de porta-voz da instituição, Karol Wojtyla será lembrado por seu caráter carismático e missionário, que trabalhou para levar o Evangelho a todos os continentes. Mais que isso, seu papado ficou marcado pela mudança, desde o momento de sua eleição. Após 455 anos, um Papa não-italiano foi eleito. O primeiro Papa polonês. O primeiro representante do catolicismo eslavo. Em Uma Vida com Karol, o Cardeal Stanislaw Dziwisz, que acompanhou João Paulo II durante quarenta anos, revela detalhes novos e fascinantes sobre as opiniões, as esperanças e os medos do Papa. Em parceria com o jornalista Gian Franco Svidercoschi, o Cardeal percorre os principais momentos da dramática vida de Karol Wojtyla. São histórias sobre os bastidores do Vaticano, contadas por quem acompanhou todas as decisões importantes João Paulo II. A obra - que já vendeu mais de 500 mil exemplares em todo o mundo - esclarece alguns dos fatos mais marcantes do Pontificado do Papa Wojtyla. Por que o religioso foi o primeiro chefe da Igreja Católica, em 2 mil anos, a entrar numa sinagoga? E por que pronunciou palavras tão duras contra o anti-semitismo? Dziwisz acredita que o fato do Papa ter passado a infância na cidade polonesa de Wadowice – onde um terço da população de 10 mil habitantes era judia –, explica tais atitudes.Ainda criança, Wotjyla começou a amadurecer a convicção de que judeus e católicos fossem unidos por pregarem o mesmo Deus. "Era preciso um Papa como ele, com sua história, para relembrar, com credibilidade, as raízes hebraicas do cristianismo e tornar a propor a ligação espiritual que une judeus e cristãos, admitindo a frouxa resistência espiritual de muitos cristãos frente ao nazismo de Hitler", diz o autor. João Paulo II foi também o primeiro líder da Igreja Católica a entrar em uma mesquita: a mesquita dos Omayyadi, em Damasco, no dia 6 de maio de 2001. Para Dziwisz, "essa foi uma grande página da história religiosa, não só pelo que significava com relação a um passado conturbado, mas, sobretudo pelo empenho, por parte de cristãos e muçulmanos, de não abusar mais da religião para justificar ódio e violência, mas para reencontrar os fundamentos comuns". No livro, os autores tocam também em assuntos polêmicos como o atentado que quase matou João Paulo II em 1981. O secretário diz que tanto ele quanto o Papa acreditavam no envolvimento da União Soviética: "Todos os caminhos levam à KGB (ex-agência soviética de inteligência)". Falam ainda sobre como João Paulo II sofreu com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e revelam as tentativas fracassadas do religioso em evitar a Guerra do Iraque. Nem mesmo os momentos finais do Papa, no dia 2 de abril de 2005, depois de uma batalha de dez anos contra o mal de Parkinson, são omitidos.Mas Uma Vida com Karol destaca principalmente as realizações do Pontificado de João Paulo II, como ele projetou um modelo de Igreja em condições de enfrentar, e de aceitar, os desafios da modernidade e de uma sociedade pluralista. "O Papa defendeu a vida reafirmando a verdade divina, mas também em nome da verdade do homem e da liberdade de consciência. Contestou a cultura do relativismo, mas ao mesmo tempo também abriu diálogo com a razão, e de certo modo com a modernidade, como nunca fizera a Igreja antes", afirma Dziwisz.

Segundo ele, a frase que João Paulo II repetiu durante todo o seu pontificado – "o mundo pode mudar!" – é a herança mais preciosa que ele poderia deixar para os homens do século XXI.
Sobre os autores:

Stanislaw Dziwisz nasceu em 27 de abril de 1939 em Raba Wyzna, na Polônia. Foi ordenado sacerdote por Karol Wojtyla em 1963. Em 3 de junho de 2005, tornou-se arcebispo de Cracóvia pela mão de Bento XVI, que depois o nomeou cardeal em 24 de março de 2006.

Gian Franco Svidercoschi nasceu na Itália. De origem polonesa, é jornalista desde 1959. Segue há quase cinqüenta anos os acontecimentos do Vaticano e o mundo religioso. Foi vice-diretor do jornal oficial do vaticano L’Osservatore Romano e colaborou com João Paulo II na realização de sua autobiografia, Dono e Mistero.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Lançamento Editora Papirus



Se já era bom ler o que
ele pensa, imagine então ouvir...


Ensinar, cantar, aprender
reúne aforismos de Rubem
Alves e traz CD com causos
do autor e músicas de
Marcílio Menezes
Aforismos são aqueles textos curtos que, em poucas palavras, trazem uma reflexão de natureza prática ou moral. Ou, em uma definição menos "dicionaresca", são aquelas frases de impacto que gostaríamos de ter pensado ou, no mínimo, dito.
E o escritor e filósofo Rubem Alves disse muitos, agora reunidos em Ensinar, cantar, aprender, lançamento da Papirus Editora. O livro vem com um CD noqual o próprio Rubem conta causos, intercalados pelasmúsicas do cantor e compositor Marcílio Menezes.
Nas 96 páginas do livro estão distribuídos cerca de 90 aforismos, alguns acompanhados de ilustrações. Falando em especial sobre educação, as frases mostram Rubem em sua melhor forma, como comprovam os aperitivos a seguir:
“Há cursos de oratória. Não há cursos de escutatória. Todos querem aprender a falar. Ninguém quer aprender a escutar.”
“Não me consta que o Kama Sutra tenha sido escrito por um professor de anatomia. Não conheço gramático que tenha feito literatura. Gramática se faz com palavras mortas. Literatura se faz com palavras vivas. Para fazer amor com os livros é preciso esquecer da gramática e aprender a música das palavras. Literatura é música.”
“Muitos pensam que o problema da educação no Brasil é a falta de recursos. É verdade que há falta de recursos. É mentira que se eles vierem a existir a educação vai ficar inteligente. Cozinha que faz comida ruim não se transforma em cozinha que faz comida boa pela compra de panelas importadas. Culinária se faz com sonho. Educação se faz com sonho.”
No CD que acompanha Ensinar, cantar, aprender, Rubemfala um pouco sobre o próprio livro e conta causos que marcaram sua vida. Entre os causos, músicas de Marcílio Menezes e entre as músicas, mais causos. O cantor e compositor Marcílio Menezes é mineiro radicado em Campinas e tem um repertório que passeia do popular ao erudito.
As músicas do CD foram escolhidas para combinarem com os temas dos causos. Em um dos últimos aforismos contidos no livro, Rubem diz o seguinte:
“Sonho com o dia em que as crianças que lêemmeus livrinhos não terão de grifar dígrafos e encontros consonantais e em que o conhecimento das obras literárias não será objeto de exames vestibulares: os livros serão lidos pelo simples prazer da leitura.”
Ensinar, cantar, aprender comcerteza é um grande passo rumo a esse sonho, pois ao mergulhar em suas páginas será impossível não sentir o prazer da leitura.