sábado, 16 de outubro de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lançamento


Lançamento da Editora Companhia das letras, Padre Cícero – Poder Fé e Guerra no Sertão, do jornalista Lira Neto, promove um mergulho na vida do Padre Cícero Romão Batista, o mais amado e controverso líder religioso que o Brasil teve, e um dos personagens mais fascinantes da História


Ele foi o mais polêmico líder espiritual e chefe político da história brasileira. O padre cearense Cícero Romão Batista (1844-1934) foi acusado de proclamar falsos milagres e acabou excomungado pelo Vaticano. Banido pela Igreja, fez da política um novo sacerdócio. Elegeu-se prefeito, vice-governador e deputado federal. À frente de um exército de jagunços e cangaceiros, apoiou uma revolução armada que derrubou um governo constitucionalmente eleito. Depois, concedeu a patente de capitão a Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, para que o célebre cangaceiro enfrentasse a Coluna Prestes em sua passagem pelo Nordeste.
Odiado por uns, idolatrado por outros, considerado um verdadeiro santo pelos sertanejos, até hoje o nome de padre Cícero continua a arrastar multidões de peregrinos à cidade de Juazeiro do Norte, onde ele viveu e está sepultado. A cada ano, cerca de dois milhões e meio de pessoas acorrem à chamada "Meca nordestina", para pagar promessas e pedir graças ao Padim Ciço. Diante de tamanha massa de devotos - e do avanço das igrejas evangélicas no Brasil -, o Vaticano estuda agora a reabilitação canônica post-mortem do controvertido sacerdote, anistiando-lhe de todas as penas que lhe foram impostas em vida pela Inquisição. É o primeiro passo para elevá-lo à condição de santo oficial da Igreja Católica.
O que temos de admitir é que seria impossível ficar indiferente ao Padre Cícero. Idolatrado por uns, execrado por outros, poucas vezes a historia brasileira testemunhou uma existência como a sua, tão cheia de nuances e contradições. Da infância pobre à transformação em líder religioso, passando pelo banimento da Igreja Católica e a reinvenção como político, Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão, livro seminal retoma cada um dos passos que fazem do Padim um fenômeno de massa, responsável por arrebatar milhões de fieis que até hoje, 75 anos após sua morte, fazem de Juazeiro do Norte um dos maiores centros religiosos do planeta.
Com base em documentação farta e inédita, o jornalista Lira Neto promove um mergulho na vida surpreendente e pouco conhecida, e também resgata algumas das inquietações políticas e sociais que ajudaram a moldar o Brasil do século XX. A questão agora é na verdade, quem foi esse homem que, mesmo tendo um decreto de excomunhão assinado contra si, arrebatou o coração das massas e passou à memória coletiva e ao panteão popular como o santo Padim Ciço? Era um apostolo visionário que sobre entender a língua do povo, converteu multidões com sua singela pastoral sertaneja, mas ainda assim foi injustiçado por um clero intransigente, etnocêntrico, refratário às diferenças? Ou foi um sujeito astuto que usou a batina em seu próprio beneficio, amealhou fortunas em terras, inoveis e gado, alimentando a sede de poder com a miséria e ignorância de seus devotos?
Padre Cícero é o resultado de dez anos de pesquisa de Lira Neto, autor de livros como O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar, premiado com o Jabuti em 2007, e Maysa: só numa multidão de amores, que deu origem à minissérie da TV Globo. Nesta biografia, uma das mais aguardadas do ano, o autor se debruça sobre a vida do mais amado e controvertido líder religioso que o Brasil já teve: Cícero Romão Batista, o "Padim Ciço" dos romeiros e fiéis.
Baseado em documentos raros e inéditos, o autor reconta, com riqueza de detalhes, os noventa anos de vida do sacerdote, desde seu nascimento no sertão cearense até a consagração como líder popular. Santo para alguns, impostor para outros, nesta biografia o padre Cícero é alvo de um olhar preciso, que desfaz equívocos históricos e ajuda a enxergar o homem por trás do mito.
Organizado em ordem cronológica, o livro é dividido em duas partes, que exploram diferentes momentos da vida de Cícero. Em "A Cruz", o foco está na religião: a ordenação como padre, os supostos milagres, os primeiros conflitos com o bispado cearense, que chegaram ao Vaticano e culminaram em seu afastamento da Igreja. Em "A Espada", o que fica em primeiro plano é a política, carreira que Cícero abraçou depois de proibido de ordenar - e que fez dele um dos homens mais influentes de seu tempo. Depois de lutar pela emancipação de Juazeiro, cidade da qual foi prefeito por quase vinte anos, Cícero elegeu-se vice-presidente (o equivalente a vice-governador) do estado do Ceará. Chegou a apadrinhar um exército de jagunços, numa revolução armada que levou à derrubada do governo local; aproximou-se de Lampião, de quem buscava apoio para combater a Coluna Prestes; arquitetou um pacto histórico entre os coronéis sertanejos, que ajudou a apaziguar a região e fez de Juazeiro o centro das aristocracias rurais do Ceará. Já perto do fim da vida foi eleito deputado federal, e ainda encontrou forças para fazer oposição a Getúlio Vargas, a quem classificava de "mensageiro do Satanás".
É sobre essa vida rica e atribulada que se debruça Cícero. Em um momento em que, acuada diante do avanço evangélico, a Igreja Católica avalia a reabilitação canônica do padre, esta biografia permite compreender a verdadeira dimensão de um dos personagens mais fascinantes da nossa história - e também resgata algumas das inquietações políticas e sociais que ajudaram a moldar o Brasil do século XX.


Título: Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão
Autor: Lira Neto
560 páginas
Biografia
Editora: Companhia das Letras

LANÇAMENTO











“Ôôôô... lobisomem!”
Profa. Renata Freitas Machado (diretora)
Profa. Ana Caroline Sapienza da Fonseca (orientadora pedagógica)
Prof. Kauê de Souza Martins (animador cultural)

“Seu lobisomem!”, expressão que com um pouco de acuidade percebe-se como uma, dentre os vários vocábulos ímpares de nossa Baixada Campista, propriamente é mais notável entre os habitantes da localidade de Boa Vista, localizada depois de Santo Amaro e antes da praia de Farol de São Tomé.




Há alguns anos a única instituição pública, que faz diferença e presença na localidade de Boa Vista (Escola Municipal Olavo Alves Saldanha Filho), através da Animação Cultural, que em pesquisas descobriu peculiaridades da cultura local, mais propriamente nos aspectos relacionados à memória, imaginário coletivo e identidade; a partir dessas pôde-se fazer alguns apontamentos que podem, a posteriori, servir de material para uma produção de pesquisa acadêmica nas áreas de história, antropologia e afins.
Hoje quem vai à praia do Farol de São Tomé, utilizando a rodovia RJ-216, inevitavelmente depara-se com algumas ruínas, com destaque para uma caixa-d’água que resiste ao tempo, ao passar pela localidade de Boa Vista. “Ruínas esta como outra qualquer? Talvez uma casa comum sem importância que tenha sido demolida”. Pasmem! Essas ruínas são nada mais nada menos do que o famoso sobradinho (real) de José Cândido de Carvalho, autor do romance “O coronel e o lobisomem”. Informação que aos poucos está sendo socializada aos moradores de Boa Vista e a quem mais se alcançar. Mas é interessante quando da posse das informações sobre José Cândido de Carvalho e o sobradinho (ou “sobrado” como é conhecido pelos moradores de Boa Vista), vislumbrar, nos mesmos: o espanto, o orgulho e a tristeza. Espanto pela descoberta; orgulho por ser a onde se é; tristeza por só estar em ruínas, a desvalorização e desconsideração social de um patrimônio tão importante para a Cultura, memória e identidade.
O início e o fim do sobradinho, de José Cândido de Carvalho, beiram a histórias, especulações e teorias conspiratórias. Dentre essas destacamos a de maior consenso proveniente de alguns relatos de testemunhas de alguns moradores mais antigos, que o sobradinho, há tempos idos, já fechado e abandonado, até porque do não conhecimento de sua áurea, servia de abrigo à transeuntes, indigentes e outros que por ali passavam e numa certa ocasião um cigarro provocou um grande incêndio destruindo o sobradinho, levando em consequência disso, visto que não havia condições estruturais para o seu restauramento, demolir o que sobrou por questões de segurança. Mas como não temos nenhum registro oficial de sua intempérie, na tradição oral dos moradores, apresentam-se testemunhos muitas vezes conflitantes e até contraditórios a respeito do ocorrido e gênese da edificação em questão. Já conversando com o Sr. Eduardo Saldanha, fazendeiro na região, doador do terreno onde se encontra a escola hoje (escola cujo nome é homenagem ao seu saudoso pai) relata que na verdade o sobradinho originalmente pertenceu ao “patriarca” dos Saldanha, que era seu avô e a família Cândido de Carvalho era muito amiga da família Saldanha e José Cândido de Carvalho desde tenra idade freqüentava o sobradinho.
Em contato direto com a Baixada Campista, arriscamos especular que foi o laboratório, o lugar que forneceu a “matéria-prima” para a construção e formação de seu estilo estético-literário que é mais nítido no romance “O coronel e o lobisomem”. Tentar compreender José Cândido de Carvalho, em profundidade, sem sua historicidade com o sobradinho, Boa Vista e Baixada Campista é como subir uma escadaria já pelo terceiro degrau... é possível, mas gasta-se uma parcela considerável de energia no empreendimento e corre-se o risco/perigo de ferir a fidelidade ao que é original fenomenológico, genealógico, arqueológico, filológico, para depois sim, o hermenêutico a uma de nossas mais notórias e brilhantes personalidades (José Cândido de Carvalho).
Hoje o que resta-nos, e a escola da localidade, ir ao local e dizer: “aqui é/foi o famoso sobradinho de José Cândido de Carvalho”.





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