sexta-feira, 14 de setembro de 2007

LANÇAMENTO



Educação, pobreza, violência, ética e suas inter-relações são tratadas em livro da Paulus Editora














“A questão da formação das pessoas é tão antiga quanto a humanidade, tão complexa como a questão da cultura, com a qual, aliás, ela se confunde. (...) A tarefa que se tem pela frente á ainda maior, já que o mundo atravessa uma crise ética e cultural profunda, que atinge especialmente os jovens”
As considerações acima formuladas pelo acadêmico Thomas de Konnick estão presentes na sua obra Filosofia da educação – Ensaio sobre o devir humano e dão o tom do que o leitor irá encontrar ao longo das mais de trezentas páginas de uma obra atual e tenaz. Abordando temas como a liberdade, a política e a violência, entre outros, o autor reconhece a suma importância que tem o assunto “educação”, principalmente no mundo contemporâneo que atravessa uma profunda crise ética e cultural.
“A educação é um processo que, ao longo de toda a vida, confere a capacidade de dirigi-la de acordo com nossa reflexão, pensamento e escolhas. A educação liberta. Ela nos concede a “soberania pessoal”. Educação para todos. Este é a grande solução para este mundo que pode, sim, tornar-se possível”, escreve no prefácio o ex-direitor geral da Unesco, Federico Mayor.
Dos sete extensos e interessantes capítulos que compõem o livro, destaque para o primeiro intitulado A Infância, em que o autor enfatiza a necessidade premente, quase vital, de se proporcionar uma educação sólida desde os primeiros anos de vida. Como afirmou Plutarco: “Não considere nada como sendo mais útil do que a educação das crianças”.
Filosofia da educação – Ensaio sobre o devir humano pertence à coleção Filosofia e é de extrema valia a todos os profissionais da educação, pais e professores, além de fornecer elementos para uma profunda reflexão do temaThomas de Konnick é professor e ex-diretor da Faculdade de Filosofia da Universidade Laval, Québec (Canadá). Suas duas obras mais recentes são: La nouvelle ignorance et les problèmes de la culture (PUF, 2000) e De la dignité humaine (PUF, 1995), coroada em 1996 com o prêmio La Bruyère da Academia Francesa.
Serviço
Filosofia da educação – Ensaio sobre o devir humano.Thomas de Koninck336 páginasR$ 50,00Editora Paulus

ENTREVISTA


Marco Aurélio Pacheco



Investimento em Business Intelligence


Investir é um risco. Mas que pode ser minimizado graças às soluções oferecidas hoje pela área de Business Intelligence. Cada vez mais presente nas decisões de mercado, essa área tem como foco ajudar empresas, de diferentes setores, a obter o máximo de benefícios com os negócios. A Editora PUC-Rio, em co-edição com a Editora Interciência, inicia a série Business Intelligence com a publicação de Sistemas inteligentes de apoio à decisão: análise econômica de projetos de desenvolvimento de campos de petróleo sob incerteza. O título é organizado pelos professores do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, Marley Vellasco e Marco Aurélio Pacheco, este último nosso entrevistado do mês na seção Autores.

Este primeiro título é resultado de quatro anos de pesquisas, em uma parceria do Laboratório de Inteligência Computacional Aplicada (ICA), do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, com a Petrobras. Outros dois títulos já estão previstos para a série Business Intelligence. Nesta entrevista, além de contar como funciona a parceria entre a PUC-Rio e a Petrobras na área de Engenharia, Marco Aurélio destaca a importância estratégica para o Brasil, nesse momento, de pesquisas voltadas para a área de petróleo, nos apresenta o campo de Business Intelligence e adianta como serão as próximas publicações da série.


O que é exatamente a área de Business Intelligence?

Marco Aurélio Pacheco: Business Intelligence (BI), denominação mundialmente conhecida, numa definição formal, é um conjunto de metodologias implementadas por meio de softwares que vão, em última análise, coletar informações e organizá-las em conhecimentos úteis para ajudar na tomada de decisão, parte mais delicada do negócio: comprar ou não? Vender ou não? A que preço? Dirigir-se a que mercado? Quando investir? Informalmente, pode-se traduzir business intelligence como o uso de sistemas inteligentes em negócios. É uma forma de agregar a inteligência humana à inteligência dos sistemas computacionais, para que os negócios se tornem mais rentáveis.

Então, como os sistemas inteligentes ajudam as empresas na busca por soluções?

Marco Aurélio Pacheco: Muitos dos sistemas vêm da área de inteligência computacional, que envolve modelos matemáticos, algoritmos, como redes neurais, lógica fuzzy, algoritmos genéticos. Além disso, envolve estatística, opções reais, métodos de estocásticos e assim por diante. Tudo isso se torna um arsenal de técnicas que ajudam as empresas a resolver alguns de seus problemas muito específicos relacionados à extração de conhecimentos e informações úteis de bases de dados. Chamamos de mineração de dados esse processo de extração. É como botar a terra na bateia e, assim, tirar apenas o que é precioso. Colhemos os dados operacionais do dia-a-dia de uma empresa e colocamos “na bateia do computador” para que de lá se extraiam informações úteis e que não são óbvias de se encontrar, a não ser peneirando dessa forma. Mas BI envolve muitos outros procedimentos. Um deles é a otimização. Otimização é palavra-chave no mundo globalizado. As empresas perderam sua posição relativamente tranqüila e passaram a sofrer concorrência, não só interna, como também externa, das multinacionais. Um exemplo disso no Brasil é a diversidade de produtos chineses no mercado. As empresas brasileiras sentem isso. Porém, isso aconteceu porque, antes da globalização, elas não se preocupavam com a otimização de seus processos e negócios, o que normalmente envolve muitos aspectos, como oferecer qualidade, preços menores, reduzir custos, isto é, segurar o cliente. Então, otimização é uma palavra-chave para que as empresas continuem competitivas.

Qual a importância de se considerar a análise econômica sob incerteza?

Marco Aurélio Pacheco: Uma das coisas que mais atormenta o investidor é o risco do investimento. Existem várias maneiras de se fazer render o capital através de investimentos que vêm acompanhados de incertezas, de riscos. Investir na Bolsa de Valores traz a incerteza de que você terá o capital de volta. Fala-se em análise de riscos. Existem também esses riscos na área de petróleo. Muitos negócios hoje em dia são através de opções. O governo leiloa a opção de explorar uma determinada área do território brasileiro. O investidor paga alguns milhões de dólares para a opção de, em cinco anos, tirar óleo dali, se beneficiando. Mas ainda pairam muitas incertezas técnicas como: será que o óleo é de boa qualidade? Será que é suficiente? O custo da produção será viável pela profundidade? E incertezas de mercado, como: e se eu colocar plataformas, empregados etc. e se o preço do petróleo cair? O investidor precisa ter a “certeza de mercado”. Então, a análise econômica deve dizer o momento certo para ele investir através de gráficos que consideram os riscos.

Sistemas inteligentes de apoio à decisão é o primeiro título da série Business Intelligence. O que destacar desse estudo?

Marco Aurélio Pacheco: O livro é fruto de projetos idealizados e patrocinados pela Petrobras que geraram muitas teses de mestrado e doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio. Os 12 autores foram alunos do mestrado e do doutorado e, alguns, parceiros da Petrobras. Queríamos reunir esses estudos em uma única obra. O livro é pioneiro nessa temática. Não se trata somente de sistemas inteligentes aplicados na análise econômica de projetos de desenvolvimento de campos de petróleo. São sistemas que atendem a análises econômicas de um modo geral. Foi por conta disso que conseguimos despertar o interesse das Editoras PUC-Rio e Interciência.

Como funciona a parceria com a Petrobras?

Marco Aurélio Pacheco:A parceria é de longa data. A Petrobras é a maior parceira da PUC-Rio em projetos de pesquisas. São projetos tecnológicos, de aplicação de ciência em problemas do dia-a-dia que ainda encontram-se sem solução. São projetos em diversas áreas, engenharias civil, mecânica, informática e até mesmo de psicologia. A demanda é da Petrobras. Nós fazemos os orçamentos que incluem a equipe de estudantes, que vão gerar as teses e dissertações, e os equipamentos para o laboratório, que mantemos sempre ativos.

Qual a importância das pesquisas em Nanotecnologia relacionadas ao petróleo para o país?

Marco Aurélio Pacheco: A Nanotecnologia é um tema estratégico no Brasil. O governo tem dado bastante atenção a ele, tanto que existem secretarias que cuidam somente do assunto. As indústrias de petróleo internacionais já vêm trabalhando firme nessa questão, pois a produção de petróleo é considerada ineficiente. Mais de 40% do reservatório não é extraído. Além disso, busca-se também reduzir radicalmente os custos de processamento do combustível para aumentar a rentabilidade. Por isso, decidimos juntar em um único evento científico (CITARE-2007) os dois temas: petróleo, a preocupação do momento; e nanotecnologia, a preocupação do futuro.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

lançamento


METAFÍSICA CONTEMPORÂNEA

MANFREDO ARAÚJO DE OLIVEIRA
GUIDO IMAGUIRE
CUSTÓDIO LUÍS DE ALMEIDA (orgs.)
400 páginas- R$ 51,00
Editora Vozes



Disciplina obrigatória nos cursos de filosofia no Brasil e praticamente não há literatura atualizada sobre a metafísica contemporânea e que ofereça uma introdução sistemática à discussão dos temas. A metafísica foi considerada desde sua origem o cerne da filosofia: da antigüidade com Platão e Aristóteles até os racionalistas modernos Descartes, Espinoza, Leibniz e até mesmo no Idealismo com Hegel, temos grandes sistemas metafísicos. A partir do final da modernidade, porém, uma série de críticas às pretensões da metafísica criou no seio da filosofia um ceticismo generalizado quanto ao próprio projeto. Por isso, a parte I do livro se dedica às críticas clássicas e aos defensores da "derrocada da metafísica".

A retomada da metafísica na filosofia contemporânea só ocorre graças à superação de alguns pressupostos presentes nessas críticas. Por isso, na parte II o livro se dedica aos avanços teóricos (especialmente na lógica e na semântica) que possibilitaram a retomada do discurso metafísico enquanto discurso racionalmente legítimo. Uma vez estabelecida a possibilidade do discurso metafísico, só resta tratar diretamente os problemas centrais da metafísica. Na verdade, a questão é apenas uma: o que é a realidade. Mas essa questão pode ser tratada de duas formas diferentes: quais os elementos fundamentais da constituição da realidade? E como compreender como a realidade factualmente é, em contraposição a: como ela poderia ser? O primeiro modo de tratamento é realizado na parte III e o segundo modo na parte IV. A parte III discute as principais propostas de categorização da realidade (categorias ontológicas fundamentais): a teoria clássica da substância (central na antigüidade e início da modernidade) e suas alternativas contemporâneas. A parte IV mostra que para compreender plenamente a realidade, não basta saber como o mundo de fato é, mas como ele poderia e como ele não poderia ser (a sua estrutura essencial e necessária).O público-alvo deste texto é todo o estudante e pesquisador de filosofia e teologia, na graduação e na pós-graduação.

lançamento



Desafios do consumo
Ricardo Mendes Antas Jr. (org.)
344 páginas- R$ 55,00
Editora Vozes

Desafios do consumo é um livro, sim, mas também um produto... Numa sociedade em que tudo se transforma em mercadoria, é essencial refletir sobre o consumo. Em Desafios do Consumo, organizado pelo doutor em Geografia Humana, Ricardo Mendes Antas Jr, lançado pela Editora Vozes, especialistas de diversas áreas do conhecimento humano revelam razões, vistas pela lógica de cada disciplina, do discurso consumista não corresponder à realidade. A seguinte obra amplia uma discussão cada vez mais necessária, num universo comercial, onde transitam lado a lado a informação e a manipulação.

Numa sociedade em que tudo se transforma em mercadoria, debruçar-se sobre os mecanismos que regem a dinâmica do consumo é essencial. O discurso de que o consumidor é o “rei” não corresponde à realidade, e na ausência de mecanismos que regulem efetivamente os setores de acordo com suas especificidades, os indivíduos tendem a tornar-se atores passivos num processo que evolui para o consumismo sem sentido.

Massacrados pela publicidade que hoje invade os espaços públicos e privados com pouquíssima informação sobre o valor e utilidade real dos produtos ou serviços, sobre os impactos ambientais ou desperdícios envolvidos, tornamo-nos literalmente o “público-alvo”. Com uma população desinformada, não há possibilidade de uma avaliação critica dos produtos e serviços oferecidos, dos preços praticados, do desperdício crescente. Sem saber como o produto ou o serviço foi projetado, produzido, como se deve ser usado e eventualmente descartado, não há consumo responsável.

Há setores que exploram produtos não renováveis herdados da natureza, como as florestas e o petróleo, sem arcar com os custos da reposição, levando a uma regulamentação incompatível com a necessidade de um futuro sustentável. Há setores que trabalham com bens essenciais, como a água, onde no caso se privatização cobra-se preços exorbitantes, pois as populações não podem deixar de consumir um produto vital. Há setores de mercados cativos, como o toner das impressoras, onde os consumidores são forçados a comprar o cartucho da mesma marca, seja qual for o preço.

Há setores que se cartelizaram, como o dos produtos farmacêuticos, onde a relação entre o custo de produção e o preço de venda tornou-se absurda. Não se trata de elencar denuncias sobre comportamentos irresponsáveis ou ate considerados criminosos, numa versão comercial do Muro das Lamentações. Trata-se de estender os mecanismos.Os autores chamam a atenção para a noção clássica de oferta e demanda, a mão invisível que deveria proteger os consumidores, e que esta sendo gradualmente contornada por mecanismos diferenciados que tratam no livro. As tarifas bancarias e os planos de saúde, são exemplos que envolvem a dissemetria de informações entre clientes e fornecedor, já estudada por Joseph Stiglitz. Mas a área de cultura esta sendo transformada rapidamente numa mercadoria de regulação precária, como pode-se ver nos estudos de Jeremy Rifin sobre “A era do acesso.”.


LANÇAMENTO



A escalada do pobrerio nuclear










Um artefato simples, de tipo tubular, "que qualquer pessoa poderia hoje construir em uma garagem", destruiu Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945, causando a morte de 150 mil pessoas. Cientistas que desenvolveram outras bombas como essa logo compreenderam que estavam propagando um conhecimento com potencial para produzir o suicídio global. Ao longo das décadas seguintes, porém, os países que dominaram o ciclo de produção de bombas nucleares se deram conta de que a impossibilidade de defesa contra um ataque nuclear era, de fato, a verdadeira defesa contra ele. Na avaliação de um velho protagonista da Guerra Fria, uma das fontes do jornalista William Langewiesche, as grandes potências hoje estão encalacradas com os arsenais nucleares que não podem usar. O perigo, alerta ele, é que esses artefatos se tornaram "a arma dos pobres".
Esse é o ponto de partida da inquietante investigação de Langewiesche. O autor primeiro nos leva a uma das antigas "cidades secretas" da ex-União Soviética, que nem sequer existiam nos mapas, e onde hoje o governo americano investe milhões de dólares na tentativa de reaparelhamento e proteção de velhas instalações atômicas. É uma expedição por um mundo quase sobrenatural, em que se misturam burocracia, paranóia, despreparo e humor negro, como a história relatada pelo técnico americano, cujo monitor de radiação captou algo suspeito dentro de um ônibus - um peixe recém-pescado de um lago contaminado pela radiação, nos confins da Rússia.
Em sua viagem pelos bazares atômicos do mundo, o autor então nos conduz ao Paquistão. Ali vamos conhecer Abdul Qader Khan, o ousado e sinistro cientista que, depois de anos de trabalho na Holanda, regressou a seu país na década de 1970 com planos e projetos roubados embaixo do braço, e a determinação de dar à sua pátria um arsenal nuclear - o que , afinal, ele acabou conseguindo. E foi além: Khan pode ser considerado o maior proliferador nuclear de todos os tempos; suas digitais são encontradas, de forma direta ou indireta, em diferentes esforços de dominar a bomba atômica na Coréia do Norte, na Líbia, no Iraque e até no Brasil. Para não falar do Irã, cliente tradicional do Paquistão, que mantém conversas e negócios com Khan há mais de vinte anos com o pleno conhecimento da CIA e a complacência do governo americano. Num mundo em que os negócios falam mais alto que os esforços diplomáticos, Langewiesche apresenta uma visão realista da ameaça que essas novas potências nucleares representam a todos nós.

"Estilo elegante, preciso e econômico, apoiado em uma perspectiva moral e intelectual vigorosa." - New York Times Times Book Review


O bazar atômico
William Langewiesche
192 páginas- R$ 36,00Companhia das Letras