sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO











“Ôôôô... lobisomem!”
Profa. Renata Freitas Machado (diretora)
Profa. Ana Caroline Sapienza da Fonseca (orientadora pedagógica)
Prof. Kauê de Souza Martins (animador cultural)

“Seu lobisomem!”, expressão que com um pouco de acuidade percebe-se como uma, dentre os vários vocábulos ímpares de nossa Baixada Campista, propriamente é mais notável entre os habitantes da localidade de Boa Vista, localizada depois de Santo Amaro e antes da praia de Farol de São Tomé.




Há alguns anos a única instituição pública, que faz diferença e presença na localidade de Boa Vista (Escola Municipal Olavo Alves Saldanha Filho), através da Animação Cultural, que em pesquisas descobriu peculiaridades da cultura local, mais propriamente nos aspectos relacionados à memória, imaginário coletivo e identidade; a partir dessas pôde-se fazer alguns apontamentos que podem, a posteriori, servir de material para uma produção de pesquisa acadêmica nas áreas de história, antropologia e afins.
Hoje quem vai à praia do Farol de São Tomé, utilizando a rodovia RJ-216, inevitavelmente depara-se com algumas ruínas, com destaque para uma caixa-d’água que resiste ao tempo, ao passar pela localidade de Boa Vista. “Ruínas esta como outra qualquer? Talvez uma casa comum sem importância que tenha sido demolida”. Pasmem! Essas ruínas são nada mais nada menos do que o famoso sobradinho (real) de José Cândido de Carvalho, autor do romance “O coronel e o lobisomem”. Informação que aos poucos está sendo socializada aos moradores de Boa Vista e a quem mais se alcançar. Mas é interessante quando da posse das informações sobre José Cândido de Carvalho e o sobradinho (ou “sobrado” como é conhecido pelos moradores de Boa Vista), vislumbrar, nos mesmos: o espanto, o orgulho e a tristeza. Espanto pela descoberta; orgulho por ser a onde se é; tristeza por só estar em ruínas, a desvalorização e desconsideração social de um patrimônio tão importante para a Cultura, memória e identidade.
O início e o fim do sobradinho, de José Cândido de Carvalho, beiram a histórias, especulações e teorias conspiratórias. Dentre essas destacamos a de maior consenso proveniente de alguns relatos de testemunhas de alguns moradores mais antigos, que o sobradinho, há tempos idos, já fechado e abandonado, até porque do não conhecimento de sua áurea, servia de abrigo à transeuntes, indigentes e outros que por ali passavam e numa certa ocasião um cigarro provocou um grande incêndio destruindo o sobradinho, levando em consequência disso, visto que não havia condições estruturais para o seu restauramento, demolir o que sobrou por questões de segurança. Mas como não temos nenhum registro oficial de sua intempérie, na tradição oral dos moradores, apresentam-se testemunhos muitas vezes conflitantes e até contraditórios a respeito do ocorrido e gênese da edificação em questão. Já conversando com o Sr. Eduardo Saldanha, fazendeiro na região, doador do terreno onde se encontra a escola hoje (escola cujo nome é homenagem ao seu saudoso pai) relata que na verdade o sobradinho originalmente pertenceu ao “patriarca” dos Saldanha, que era seu avô e a família Cândido de Carvalho era muito amiga da família Saldanha e José Cândido de Carvalho desde tenra idade freqüentava o sobradinho.
Em contato direto com a Baixada Campista, arriscamos especular que foi o laboratório, o lugar que forneceu a “matéria-prima” para a construção e formação de seu estilo estético-literário que é mais nítido no romance “O coronel e o lobisomem”. Tentar compreender José Cândido de Carvalho, em profundidade, sem sua historicidade com o sobradinho, Boa Vista e Baixada Campista é como subir uma escadaria já pelo terceiro degrau... é possível, mas gasta-se uma parcela considerável de energia no empreendimento e corre-se o risco/perigo de ferir a fidelidade ao que é original fenomenológico, genealógico, arqueológico, filológico, para depois sim, o hermenêutico a uma de nossas mais notórias e brilhantes personalidades (José Cândido de Carvalho).
Hoje o que resta-nos, e a escola da localidade, ir ao local e dizer: “aqui é/foi o famoso sobradinho de José Cândido de Carvalho”.




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