terça-feira, 16 de outubro de 2007

LANÇAMENTO VERUS EDITORA


Poética no feminino


Com a publicação póstuma do livro de poesia, Ariel, em 1965, Sylvia Plath, ficou conhecida no meio literário. O livro acaba de ganhar edição restaurada e bilíngüe, com os manuscritos originais. A edição em língua portuguesa sai pelo selo da Verus Editora.

om a publicação póstuma do livro de poesia "Ariel", em 1965, Sylvia Plath se tornou um nome amplamente conhecido e futuramente alçado ao papel de ícone feminista. No entanto, o manuscrito de "Ariel" deixado pela autora quando ela morreu, em 1963, era diferente do volume de poemas que foi então publicado e mundialmente aclamado.

A edição bilíngüe e fac-similar restabelece pela primeira vez a seleção e o arranjo dos poemas exatamente como Sylvia Plath os deixou antes de se suicidar. Além da reprodução dos manuscritos da autora, este livro também inclui os rascunhos completos do poema-título, “Ariel”, oferecendo ao leitor a oportunidade de acompanhar o processo criativo da poeta. Com esta publicação, o legado de Sylvia Plath será reavaliado à luz de seu trabalho original e permanecerá conforme sua vontade.

“Como explicar a Bob que minha felicidade depende de arrancar um pedaço da minha vida, um fragmento de aflição e beleza, e transformá-lo em palavras datilografada numa página? Como ele poderia entender que justifico minha vida, minhas emoções ardentes, meus sentimentos, ao passá-la para o papel? ( Sylvia Plath, em seu diário)

Nascida em Boston, Massachutts, em 1932, Sylvia Plath acabou cometendo suicídio em Londres, no dia 11 de fevereiro de 1963, logo após a publicação de seu livro A redoma de vidro, quando ela tinha apenas 30 anos. Sua safra de poemas, considerada de altíssima qualidade e dicção inconfundível legou-nos nos seus últimos doze meses de vida, que resultaria num dos clássicos da poética feminina, com lançamento em 1965.

Sylvia ficou imortalizada como um dos ícones do feminismo, vitima da sociedade patriarcal de sua época, o que acabou acarretando no desvio e foco de sua personalidade conflituosa e sua vida trágica, dos seus poemas extraordinários. Explicações biográficas , psicanalítica e feminista passaram a ser a norma, tentando dar conta do problema de Plath. O suicídio e o prefacio bombástico de Lowel, acabou sendo responsável pela venda de mais de quinze mil exemplares.

Editado pelo seu marido o poeta inglês Ted Hughes, o livro revelava a intensidade e a beleza de seu gênio, interrompido no auge de sua carreira. Sua obra foi marcada com poemas urgentes e de bela potencia imaginativa.

Mas o segredo da edição lançada em 1965 é o distanciamento do volume original idealizado pela autora. Sylvia Plath era extremamente detalhista com a organização de seus livros. Ela havia deixado em seu apartamento em Londres onde veio a falecer, os manuscritos de Ariel, prontos para publicação e caprichosamente organizado. O volume continha quarenta poemas, conforme nos conta seu marido na introdução de Collected Poems, de 1981.

Somente em 2004, o publico pode enfim conhecer a edição original deixada por Plath. Ariel- edição restaurada, foi lançado simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Mais importante, o volume traz o fac-simile do manuscrito original, conforme organizado e datilografado pela própria autora.

Sylvia Plath conseguiu, em Ariel, transformar em poesia tantos assuntos particulares como eventos históricos trágicos. Seus poemas evidenciam as dores de uma vida traumática, marcada pela morte do pai e pelos conflitos com o marido infiel, e são a prova do talento dessa poeta que, com otimismo ou sofrimentos, soube unir técnica e emoção e criar uma obra já considerada clássica.




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