

Curiosidades alimentares
Livro destaca os hábitos alimentares do Brasil do século XVI, com receitas exóticas e pratos a base de animais das regiões. Uma verdadeira arqueologia da alimentação.
Delicias do descobrimento
A gastronomia brasileira do século XVI
Sheila Moura Hue
208 páginas
R$ 34,00
Jorge Zahar Editor
A gastronomia brasileira do século XVI
Sheila Moura Hue
208 páginas
R$ 34,00
Jorge Zahar Editor
O padre José de Anchieta apreciava carne assada de macaco e bicho de taquara torrado e deixou esse depoimento para a posteridade. E ele não foi o único. Viajantes, padres, senhores de engenho e navegadores descreveram a fauna e a flora do Brasil do século XVI em detalhes. Registraram ainda ingredientes dos quatro cantos do mundo trazidos pelas rotas marítimas e as adaptações que os cardápios sofreram ao se deparar com novos itens.
Delícias do Descobrimento - A gastronomia brasileira no século XVI, enfoca a história do Brasil por um viés diferente: o da gastronomia. Resultado de uma preciosa pesquisa que garimpou os textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes de diversas nacionalidades que por aqui aportaram , põe o leitor diante do nascimento da cozinha brasileira no século XVI.
“Algumas receitas nos parecem hoje estranhas ou absurdas porque na época não havia, por exemplo, preocupação com colesterol – a gordura era, ao contrário, muito apreciada. Assim, vemos muito uso de toucinho, frituras, e uma quantidade impressionante de ovos. Outra coisa que pode surpreender é o emprego de açúcar nos pratos “salgados”. Muitos pratos de carnes e aves são cozidos com açúcar e depois ainda polvilhados com açúcar e canela. O açúcar não era uma exclusividade da sobremesa ou dos pratos de doçaria, mas era usado como um condimento qualquer, como o açafrão, e era muito apreciado em pratos de carnes, como a galinha albardada e a galinha mourisca (duas receitas que permaneceram até o século XVIII). Fazendo umas pequenas adaptações, podemos reproduzir esses pratos em nossas cozinhas, adaptando-os ao nosso gosto.”, destaca Sheila.
Com um olhar curioso e muitas vezes espantado, tais cronistas retratavam para o Velho Mundo a fauna e a flora exuberantes, fartas, generosas da nova terra. Há descrições e comparações inusitadas: um Ilustrado gambá era um animal monstruoso, com cara de raposa, rabo de macaco, orelhas de morcego, mãos humanas e pés como de macaca. Há informações sobre o uso medicinal de plantas e animais, como a beberagem de buranhém empregada no combate à sífilis, com resultado notável. E há também o registro de que à abundância nativa começavam a se misturar ingredientes vindos com as Navegações, criando novos pratos e novos hábitos alimentares.
Na falta de azeite usava-se banha de peixe-boi derretida, e os bolos faziam-se com uma delicada farinha de mandioca. Carne de tatu e as crocantes pacas, assadas inteiras, eram iguarias. O padre José de Anchieta apreciava bicho-de-taquara torrado, e para Fernão Cardim as gordas moréias sabiam a leitão". Vindas do Oriente, cana-de-açúcar e canela passaram a polvilhar cajus cozidos, e figos e marmelos europeus dividiam compotas com abacaxis e goiabas locais.

Um comentário:
Olá,
Sou Bruna Pallini, trabalho na Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor.
Você sabia que restaurantes do RJ vão aderir ao Circuito Gastronômico Delícias do Descobrimento e preparar receitas de época? http://www.zahar.com.br/catalogo_exclusivo.asp?id=1080&ide=112
Abraços!
Postar um comentário