segunda-feira, 10 de setembro de 2007

lançamento



Desafios do consumo
Ricardo Mendes Antas Jr. (org.)
344 páginas- R$ 55,00
Editora Vozes

Desafios do consumo é um livro, sim, mas também um produto... Numa sociedade em que tudo se transforma em mercadoria, é essencial refletir sobre o consumo. Em Desafios do Consumo, organizado pelo doutor em Geografia Humana, Ricardo Mendes Antas Jr, lançado pela Editora Vozes, especialistas de diversas áreas do conhecimento humano revelam razões, vistas pela lógica de cada disciplina, do discurso consumista não corresponder à realidade. A seguinte obra amplia uma discussão cada vez mais necessária, num universo comercial, onde transitam lado a lado a informação e a manipulação.

Numa sociedade em que tudo se transforma em mercadoria, debruçar-se sobre os mecanismos que regem a dinâmica do consumo é essencial. O discurso de que o consumidor é o “rei” não corresponde à realidade, e na ausência de mecanismos que regulem efetivamente os setores de acordo com suas especificidades, os indivíduos tendem a tornar-se atores passivos num processo que evolui para o consumismo sem sentido.

Massacrados pela publicidade que hoje invade os espaços públicos e privados com pouquíssima informação sobre o valor e utilidade real dos produtos ou serviços, sobre os impactos ambientais ou desperdícios envolvidos, tornamo-nos literalmente o “público-alvo”. Com uma população desinformada, não há possibilidade de uma avaliação critica dos produtos e serviços oferecidos, dos preços praticados, do desperdício crescente. Sem saber como o produto ou o serviço foi projetado, produzido, como se deve ser usado e eventualmente descartado, não há consumo responsável.

Há setores que exploram produtos não renováveis herdados da natureza, como as florestas e o petróleo, sem arcar com os custos da reposição, levando a uma regulamentação incompatível com a necessidade de um futuro sustentável. Há setores que trabalham com bens essenciais, como a água, onde no caso se privatização cobra-se preços exorbitantes, pois as populações não podem deixar de consumir um produto vital. Há setores de mercados cativos, como o toner das impressoras, onde os consumidores são forçados a comprar o cartucho da mesma marca, seja qual for o preço.

Há setores que se cartelizaram, como o dos produtos farmacêuticos, onde a relação entre o custo de produção e o preço de venda tornou-se absurda. Não se trata de elencar denuncias sobre comportamentos irresponsáveis ou ate considerados criminosos, numa versão comercial do Muro das Lamentações. Trata-se de estender os mecanismos.Os autores chamam a atenção para a noção clássica de oferta e demanda, a mão invisível que deveria proteger os consumidores, e que esta sendo gradualmente contornada por mecanismos diferenciados que tratam no livro. As tarifas bancarias e os planos de saúde, são exemplos que envolvem a dissemetria de informações entre clientes e fornecedor, já estudada por Joseph Stiglitz. Mas a área de cultura esta sendo transformada rapidamente numa mercadoria de regulação precária, como pode-se ver nos estudos de Jeremy Rifin sobre “A era do acesso.”.


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