
O Imperador da Língua Portuguesa
Ricardo Gomes
Personalidade do século XVII e um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. Edições Loyola esta lançando o segundo volume dos Sermões.
Ricardo Gomes
Personalidade do século XVII e um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. Edições Loyola esta lançando o segundo volume dos Sermões.
Ainda nas comemorações dos 400 anos de nascimento, Padre Antônio Vieira continua ganhando novas edições completas de sua obra, compreendida entre Sermões e Cartas. Edições Loyola lançou o primeiro volume da edição completa dos Sermões (296 páginas- R$ 42,00) e a Editora Globo também colocou no mercado editorial o segundo volume das Cartas (563 páginas- R$ 46,00).
O jesuíta ficou conhecido por sua posição contraria a escravização dos índios. Mas a sua atuação era voltada a conversão dos indígenas ao Catolicismo, mas antes de mais nada os defendia os direitos humanos dos povos indígenas, e era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi). Antônio Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Na literatura, seus sermões possuem enorme importância no barroco brasileiro e português. As universidades de todo mundo freqüentemente exigem sua leitura.
Ficou conhecido como o “imperador da língua portuguesa”, outorgado por ninguém menos que Fernando Pessoa., e essa talvez seja a melhor definição que melhor caracteriza a grandeza literária do jesuíta. Vieira nasceu em Lisboa, nos inícios de 1608. Faleceu na Bahia, em 1697. Com uma existência quase centenária, Vieira foi uma figura ativa e teve tempo de sobra para incomodar os poderosos dos dois lados do Atlântico. Sua obra ganhou ênfase, e Vieira se tornou um dos mais influentes escritores, alem de orador da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política destacou-se como missionário em terras brasileiras.
Vieira foi ainda pregador régio, diplomata, missionário nos estados do Maranhão e Pará. Editor e revisor de seus textos literários. Seus sermões "ajudam a entender melhor a verdade, a justiça e o amor", explica Pereira, que também revela o sermão predileto de Vieira, o Sermão do Bom Ladrão - um tratado sobre a corrupção que apresenta alguns remédios para se acabar com ela: o bem, a paz e a justiça.
Nos Sermões um discurso engenhoso
Se por um lado, os Sermões são constituídos de um discurso denso, uma das marcas do estilo barroco, sobrecarregados de idéias bastante complexas, discursos sinuosos, mas, no entanto são bem desprovidos dos traços da técnica ornamental que caracteriza a maior parte da literatura da época. Seus discursos engenhosos acaba se transformando num artefato para facilitar a veiculação de suas idéias.
E para se expressar em linguagem figurada, uma teoria da ação nos Sermões, é possível afirmar que Vieira ajustava seu discurso como se estivesse comprimindo a carga de uma arcabuz. Uma pena que expelem ferro e fogo, e as suas palavras como pistolas carregadas sempre prontas a disparar metáforas que define a palavra como uma força que movimenta idéias e deflagra atitudes.
A edição da Loyola dos sermões é voltada para iniciantes na obra de Vieira e pretende despertar o interesse por edições originais críticas. Segundo Pereira, o principal atrativo do livro é a tradução das citações em latim que proporciona uma leitura sem interrupções, livre de rodapés. Para facilitar também a compreensão, o editor redigiu resumos que antecedem cada sermão.
Os sermões foram apresentados por Vieira em tempos e lugares diferentes, ao acaso e sem ordem. Por isso, essa edição situa a cronologia dos sermões nas orelhas dos livros. Ao final, a publicação traz referências literárias, listas para que se conheçam os sermões impressos com o consentimento do autor, os sermões do autor e os "totalmente alheios", além de documentos oficiais como a aprovação que Vieira teve do provincial de Portugal, licenças da religião, do santo ofício, do paço e autorização do príncipe.
Nas Cartas as reflexões sobre momentos da História
O próprio Vieira destacava a sua produção epistolas, composta por cerca de setecentas cartas, com um estilo em diferente dos Sermões. Isso sem contar que era uma tradição dos jesuítas a troca de correspondências. As Cartas são documentos reveladores tanto da personalidade de seu autor, como de uma serie de circunstancias bem inusitadas para seu tempo. Vieira relata em suas correspondências, fatos históricos vividos pela monarquia lusitana nos meados do século XVII.
A edição do segundo volume que esta sendo lançada pela Editora Globo, organizada pelo historiador português João Lúcio de Azevedo, teve sua primeira edição publicada em 1925, mas somente agora esta ganhando edição no Brasil. João Lúcio de Azevedo foi também responsável pelas apresentações dos dois períodos cobertos por estas epístolas — “Desterro e processo em Coimbra” e “Segunda jornada a Roma” —, além das notas e da cronologia. A presente edição contou com o apoio cultural do governo português através da DGLB (Divisão Geral do Livro e das Bibliotecas).
Os dois períodos cobertos por estas cartas estão entre os mais importantes de uma longa existência que esteve sempre no centro dos acontecimentos religiosos, intelectuais, políticos e diplomáticos de sua época, não apenas no Brasil, não somente em Portugal, mas também na Europa e no mundo, através de sua proeminência na Companhia de Jesus e de seus contatos com os poderosos do tempo. O autor destas cartas é, reconhecidamente, um dos mais importantes intelectuais do século XVII e um dos mais influentes homens de seu tempo no Brasil e em Portugal. Além de ser, ele próprio, detentor do título de “imperador da língua portuguesa” — outorgado por ninguém menos que Fernando Pessoa.
O jesuíta ficou conhecido por sua posição contraria a escravização dos índios. Mas a sua atuação era voltada a conversão dos indígenas ao Catolicismo, mas antes de mais nada os defendia os direitos humanos dos povos indígenas, e era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi). Antônio Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Na literatura, seus sermões possuem enorme importância no barroco brasileiro e português. As universidades de todo mundo freqüentemente exigem sua leitura.
Ficou conhecido como o “imperador da língua portuguesa”, outorgado por ninguém menos que Fernando Pessoa., e essa talvez seja a melhor definição que melhor caracteriza a grandeza literária do jesuíta. Vieira nasceu em Lisboa, nos inícios de 1608. Faleceu na Bahia, em 1697. Com uma existência quase centenária, Vieira foi uma figura ativa e teve tempo de sobra para incomodar os poderosos dos dois lados do Atlântico. Sua obra ganhou ênfase, e Vieira se tornou um dos mais influentes escritores, alem de orador da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política destacou-se como missionário em terras brasileiras.
Vieira foi ainda pregador régio, diplomata, missionário nos estados do Maranhão e Pará. Editor e revisor de seus textos literários. Seus sermões "ajudam a entender melhor a verdade, a justiça e o amor", explica Pereira, que também revela o sermão predileto de Vieira, o Sermão do Bom Ladrão - um tratado sobre a corrupção que apresenta alguns remédios para se acabar com ela: o bem, a paz e a justiça.
Nos Sermões um discurso engenhoso
Se por um lado, os Sermões são constituídos de um discurso denso, uma das marcas do estilo barroco, sobrecarregados de idéias bastante complexas, discursos sinuosos, mas, no entanto são bem desprovidos dos traços da técnica ornamental que caracteriza a maior parte da literatura da época. Seus discursos engenhosos acaba se transformando num artefato para facilitar a veiculação de suas idéias.
E para se expressar em linguagem figurada, uma teoria da ação nos Sermões, é possível afirmar que Vieira ajustava seu discurso como se estivesse comprimindo a carga de uma arcabuz. Uma pena que expelem ferro e fogo, e as suas palavras como pistolas carregadas sempre prontas a disparar metáforas que define a palavra como uma força que movimenta idéias e deflagra atitudes.
A edição da Loyola dos sermões é voltada para iniciantes na obra de Vieira e pretende despertar o interesse por edições originais críticas. Segundo Pereira, o principal atrativo do livro é a tradução das citações em latim que proporciona uma leitura sem interrupções, livre de rodapés. Para facilitar também a compreensão, o editor redigiu resumos que antecedem cada sermão.
Os sermões foram apresentados por Vieira em tempos e lugares diferentes, ao acaso e sem ordem. Por isso, essa edição situa a cronologia dos sermões nas orelhas dos livros. Ao final, a publicação traz referências literárias, listas para que se conheçam os sermões impressos com o consentimento do autor, os sermões do autor e os "totalmente alheios", além de documentos oficiais como a aprovação que Vieira teve do provincial de Portugal, licenças da religião, do santo ofício, do paço e autorização do príncipe.
Nas Cartas as reflexões sobre momentos da História
O próprio Vieira destacava a sua produção epistolas, composta por cerca de setecentas cartas, com um estilo em diferente dos Sermões. Isso sem contar que era uma tradição dos jesuítas a troca de correspondências. As Cartas são documentos reveladores tanto da personalidade de seu autor, como de uma serie de circunstancias bem inusitadas para seu tempo. Vieira relata em suas correspondências, fatos históricos vividos pela monarquia lusitana nos meados do século XVII.
A edição do segundo volume que esta sendo lançada pela Editora Globo, organizada pelo historiador português João Lúcio de Azevedo, teve sua primeira edição publicada em 1925, mas somente agora esta ganhando edição no Brasil. João Lúcio de Azevedo foi também responsável pelas apresentações dos dois períodos cobertos por estas epístolas — “Desterro e processo em Coimbra” e “Segunda jornada a Roma” —, além das notas e da cronologia. A presente edição contou com o apoio cultural do governo português através da DGLB (Divisão Geral do Livro e das Bibliotecas).
Os dois períodos cobertos por estas cartas estão entre os mais importantes de uma longa existência que esteve sempre no centro dos acontecimentos religiosos, intelectuais, políticos e diplomáticos de sua época, não apenas no Brasil, não somente em Portugal, mas também na Europa e no mundo, através de sua proeminência na Companhia de Jesus e de seus contatos com os poderosos do tempo. O autor destas cartas é, reconhecidamente, um dos mais importantes intelectuais do século XVII e um dos mais influentes homens de seu tempo no Brasil e em Portugal. Além de ser, ele próprio, detentor do título de “imperador da língua portuguesa” — outorgado por ninguém menos que Fernando Pessoa.

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